A Hora do Trabalho

O cenário brasileiro parece delineado, embora em política sempre há a chance de mudanças bruscas.

Ao que tudo indica, há a possibilidade de ficarmos durante um longo período à mercê da direita ou da extrema-direita.  Ou seja, é Bolsonaro e seus brutamontes ou alguma outra opção apresentada como direita civilizada. Ou seja, liberalismo radical com ou sem a supressão das liberdades democráticas.

É romântica a hipótese de pensar a volta a curto prazo de política sociais por mero refluxo cíclico. Há ilusão entre muitos de que se trata de simples troca da presidência, a ser feita na próxima eleição ou, no limite da necessidade, através do arcabouço institucional existente, ou seja, com decisões do Congresso ou STF.

O deslocamento ideológico produzido no País é enorme, em significativa medida com profundidade religiosa, o que impede numerosas camadas sociais de tratar a política com racionalidade. Para muitos, por exemplo, a defesa de Bolsonaro, de políticas reacionárias no campo das liberdades individuais e do liberalismo extremado passou a ser um ato de fé.

E contra a fé não há argumento.

Os exemplos dos países vizinhos não servem por si só para garantir nada para nós. Até porque embora exista interconexão e similitude na historia do continente, cada nação tem ciclo histórico e especificidades únicos. Dê-se, pois, ao Chile o que é do Chile e ao Brasil o que é nosso. Cada cara representa, como disse Luiz Melodia, uma mentira, nascimento, vida e morte.

Não digo isso para promover desânimo, mas para que estejamos ciente do tamanho da encrenca em que o País de meteu. No meu ver, será preciso muito trabalho de base para rearticular o projeto popular novamente no Brasil.

Quando digo trabalho de base, refiro-me principalmente a três trincheiras. Primeiro, estudo e teorização constante da realidade, revivendo a velha escola socialista de que a práxis é a síntese entre teoria e prática. Segundo, permanente articulação, mobilização e formação dos movimentos sociais. Terceiro, participação efetiva e inteligentes em todos os espaços disputados da sociedade, em especial os cargos eletivos da comuna municipal.

Dessa forma, entre tantas tarefas urgentes e inadiáveis dos democratas brasileiros, é necessária dedicação paras as eleições municipais de 2020, apresentando onde for possível candidaturas de esquerda tanto para prefeito como para vereadores, e, onde isso se tornar inviável, compondo com forças que possam se contrapor ao campo claro da direita ou da extrema-direita.

Podemos aplaudir o que os chilenos e argentinos fizerem, mas nossos problemas somente nós resolveremos.

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